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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Caligrafia Urbana!?




Nada disso. Não estamos falando de algum novo tipo de caligrafia, ou, para as mentes mais ferteis, letras nas cidades.

Você já parou para perceber o que está a sua volta?

Prédios, casas, lojas, estradas, pessoas, carros... No meio disso tudo, ou melhor, como parte de tudo isso, existem também as pichações.

Mas, antes que palavra “vandalismo” responda todas as suas questões
sobre o assunto, e preciso entender o que é, de fato, este fenômeno que toma as ruas, prédios e muros das cidades , principalmente, das grandes.

Em linhas gerais, a pichação tem como suporte a cidade, local onde o indivíduo se apropria do espaço urbano a partir de intervenções na arquitetura. Neste sentido, a subversão pode ser vista como uma de suas características principais, seja ela politizada ou não. Da perspectiva de alguns pichadores, esta forma de intervenção coloca em discussão padrões arquitetônicos e artísticos, e, sobretudo, o discurso da propriedade privada


Quem desenvolveu o estudo ''Caligrafia urbana: um estudo sobre a pichação de São Paulo como desvio social'', foi o estudante de história Rodrigo Amaro de Carvalho em pesquisa no departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa, e com orientação do professor Douglas Mansur.

A pesquisa contou com a análise principal o discurso veiculado na grande imprensa acerca da pichação com ênfase nos debates sobre a criminalização da prática.

Por outro lado, o estudante também realizou algumas entrevistas com pichadores afim de a buscar os sentidos atribuídos a essa forma de intervenção, bem como às suas principais temáticas e características expressivas.




A abordagem centrada na contraposição de perspectivas e em torno das tensões provocadas pela prática da pichação dialoga com a literatura sócio-antropológica produzida para discutir as formas de desvio social.O referencial teórico utilizado se baseou nos estudos sobre interacionismo simbólico e, em particular, o trabalho de Howard Becker.

A idéia principal do trabalho é construir certo distanciamento analítico de uma abordagem tradicional do comportamento desviante, posicionando-se de forma crítica diante da idéia de patologia social.

A análise leva em consideração, simbolicamente, a pichação negando o nível do senso comum que remete a mesma à categoria de anomia social, preferindo interpretar o pichador não como aquele ator que está fora de sua cultura, mas sim como aquele que faz uma “leitura” diferenciada dos padrões e condutas estabelecidos pelos valores dominantes.


A conclusão das pesquisas constatou que o pichador, assim como qualquer outro indivíduo, nem sempre é desviante. Em determinadas áreas de comportamento atuará como qualquer cidadão “normal”.

De um modo geral, o trabalho pode entender o comportamento desviante como algo criado pela sociedade, pois não existem desviantes em si mesmos, mas uma relação entre atores (indivíduos, grupos) que acusam outros atores de estarem, consciente ou inconscientemente, quebrando limites de determinada situação sociocultural.

Assim, redirecionar a atenção para o estudo dos processos de rotulação, ao invés de se atentar para o foco no comportamento dos atores definidos como desviantes.

domingo, 6 de setembro de 2009

sobreHumanas


Um blog de DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA. Pesquisas sobre animais, raízes com nomes estranhos, antídotos, vacinas, bactérias e microorganismos.
Se for isto que você pretende encontrar por aqui, está no blog errado!

O blog sobreHumanas tem como objetivo explorar as ciências humanas dentro da Universidade Federal de Viçosa, divulgando projetos e pesquisas científicas produzidos por estudantes dos cursos que fazem parte do Centro de Ciências Humanas (CCH).

Se existe ciência humana em Viçosa, interior de Minas Gerais? Sim, existe. Apesar de tradicionalmente vinculada aos cursos agrários, a UFV tem 14 cursos na área: Economia, Comunicação Social/ Jornalismo, Dança, Letras, Secretariado Executivo Trilíngue, Economia Doméstica, Educação Infantil, Direito, Pedagogia, Geografia, História, Ciências Sociais, Administração e Ciências Contábeis.

Além de causar estranhamento sua existência na UFV, a própria Ciência Humana é vista com diferença.

Quando pensamos em ciência já imaginamos que tudo começou com os estudos feitos por Copérnico, Galileu Galilei, entre outros, e que atualmente, se limita às ciências biológicas e a tecnologia em variadas áreas, não refletindo o que, de fato, é a ciência .

O dicionário Priberam da Língua Portuguesa define a ciência como um “Conjunto de conhecimentos fundados sobre princípios certos. Saber, instrução, conhecimentos vastos.” Enquanto o dicionário Aurélio a define como um “Conjunto organizado de conhecimentos relativos a certas categorias de fatos ou fenômenos. Conjunto de conhecimentos humanos a respeito da natureza, da sociedade e do pensamento, adquiridos através do desvendamento das leis objetivas que regem os fenômenos e sua explicação: o progresso da ciência.”

Não satisfeitas com as definições baseadas na necessidade de leis objetivas e certezas, como as descritas acima, refutamos o teor literal da palavra e consideramos a percepção prática e atual da ciência como uma grande discussão, com definições múltiplas e nada de consenso.
Se entender o que é a ciência já é complicado, a ciência Humana, nem se fala. Por isso, o Blog sobreHumanas abordará estudos sobre a sociedade, o ser humano dentro da mesma, os fatores históricos e geográficos, a política, as comunicações, a educação, a economia, as artes e assim por diante. Nem tudo pode ser explicado por quantidades e porcentagens, é a parte reflexiva e mais qualitativa da ciência da vida. As ciências Humanas.