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domingo, 8 de novembro de 2009

Os 30 anos do LDH


Esta semana o Laboratório de Desenvolvimento Humano – LDH – da UFV comemorou 30 anos de existência. No dia 03 de novembro, diversos membros da comunidade se reuniram... (“Hã?” “O quê?” Você não sabe o que é o LDH?!”)

Está bem, está bem. Vamos do início.

O Laboratório de Desenvolvimento Humano (LDH) é uma das unidades que compõem o Departamento de Economia Doméstica da UFV. Foi implantado em 1979 e idealizado pela Prof.ª Myriam de Oliveira Fernandes, economista doméstica, com mestrado em Relações Familiares e Desenvolvimento da Criança, cursado na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos. A sua criação visou propiciar estágios aos estudantes que cursavam as disciplinas Relações Familiares e Desenvolvimento da Criança, iniciando, assim, a composição da área de Família e Desenvolvimento Humano do curso de Economia Doméstica da UFV.


Hoje, o LDH possui atividades relacionadas a Ensino, Pesquisa e Extensão, que são também os objetivos da Universidade.

As atividades de ensino referem-se ao trabalho educativo desenvolvido com crianças e estudantes e ao oferecimento de estágios aos estudantes de Economia Doméstica que cursam o Bacharelado e as Licenciaturas Plenas em Economia Doméstica e Educação Infantil e aos estudantes do curso de Educação Física.



Na extensão, a equipe do LDH socializa os conhecimentos, realizando cursos, assessorias e consultorias junto às instituições públicas e privadas, promovendo treinamentos e cursos para professores e outros profissionais que atuam nesta área.

E na pesquisa (que é o intuito deste blog) a unidade busca valorizar a produção de conhecimentos na área de Família e Desenvolvimento da Criança. De forma que os resultados obtidos são diretamente aplicados na educação pelo próprio laboratório, e também por outras instituições de educação infantil.

São diversas pesquisas, (também, são trinta anos de existência, não é mesmo!) e não caberia explicá-las apenas em um post. Portanto, aí vão algumas delas:

  • A Importância das Atividades Lúdicas na Constução do conhecimento Físico": Intervenção em uma Creche do Município de Viçosa - Um Enfoque Piagetiano.
  • Levantamento da situação das creches/pré-escolas públicas e/ou filantrópicas quanto ao uso da atividade lúdica para o desenvolvimento da criança.
  • Família e instituição de educação infantil - uma relação de conflitos, contradições e ambigüidade.
  • O Programa de alimentação na instituição de educação infantil: uma integração entre o cuidar e o educar.
  • O Programa de envolvimento da família - empréstimo de livros no Laboratório de Desenvolvimento Humano: relação entre o cuidar e educar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Caligrafia Urbana!?




Nada disso. Não estamos falando de algum novo tipo de caligrafia, ou, para as mentes mais ferteis, letras nas cidades.

Você já parou para perceber o que está a sua volta?

Prédios, casas, lojas, estradas, pessoas, carros... No meio disso tudo, ou melhor, como parte de tudo isso, existem também as pichações.

Mas, antes que palavra “vandalismo” responda todas as suas questões
sobre o assunto, e preciso entender o que é, de fato, este fenômeno que toma as ruas, prédios e muros das cidades , principalmente, das grandes.

Em linhas gerais, a pichação tem como suporte a cidade, local onde o indivíduo se apropria do espaço urbano a partir de intervenções na arquitetura. Neste sentido, a subversão pode ser vista como uma de suas características principais, seja ela politizada ou não. Da perspectiva de alguns pichadores, esta forma de intervenção coloca em discussão padrões arquitetônicos e artísticos, e, sobretudo, o discurso da propriedade privada


Quem desenvolveu o estudo ''Caligrafia urbana: um estudo sobre a pichação de São Paulo como desvio social'', foi o estudante de história Rodrigo Amaro de Carvalho em pesquisa no departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa, e com orientação do professor Douglas Mansur.

A pesquisa contou com a análise principal o discurso veiculado na grande imprensa acerca da pichação com ênfase nos debates sobre a criminalização da prática.

Por outro lado, o estudante também realizou algumas entrevistas com pichadores afim de a buscar os sentidos atribuídos a essa forma de intervenção, bem como às suas principais temáticas e características expressivas.




A abordagem centrada na contraposição de perspectivas e em torno das tensões provocadas pela prática da pichação dialoga com a literatura sócio-antropológica produzida para discutir as formas de desvio social.O referencial teórico utilizado se baseou nos estudos sobre interacionismo simbólico e, em particular, o trabalho de Howard Becker.

A idéia principal do trabalho é construir certo distanciamento analítico de uma abordagem tradicional do comportamento desviante, posicionando-se de forma crítica diante da idéia de patologia social.

A análise leva em consideração, simbolicamente, a pichação negando o nível do senso comum que remete a mesma à categoria de anomia social, preferindo interpretar o pichador não como aquele ator que está fora de sua cultura, mas sim como aquele que faz uma “leitura” diferenciada dos padrões e condutas estabelecidos pelos valores dominantes.


A conclusão das pesquisas constatou que o pichador, assim como qualquer outro indivíduo, nem sempre é desviante. Em determinadas áreas de comportamento atuará como qualquer cidadão “normal”.

De um modo geral, o trabalho pode entender o comportamento desviante como algo criado pela sociedade, pois não existem desviantes em si mesmos, mas uma relação entre atores (indivíduos, grupos) que acusam outros atores de estarem, consciente ou inconscientemente, quebrando limites de determinada situação sociocultural.

Assim, redirecionar a atenção para o estudo dos processos de rotulação, ao invés de se atentar para o foco no comportamento dos atores definidos como desviantes.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Pesquisa em foco no CCH

A Universidade Federal de Viçosa, instituição de renome na área agrária, realizou pela primeira vez o Fórum de Pesquisa do Centro de Ciências Humanas – CCH. Se a maioria das pessoas já sabe da qualidade e importância das pesquisas em Veterinária e Agronomia, por exemplo, agora é a vez de discutir o que as Humanas vêm desenvolvendo.

Esse foi o foco e objetivo principal do fórum, que reuniu professores, pessoas ligadas aos órgãos de fomento à pesquisa e alunos da instituição. Formado por uma maioria de cursos novos, com pouco tempo de criação, o CCH busca aumentar as pesquisas, sejam elas financiadas ou não, e criar/ consolidar cursos de pós-graduação. A abertura do evento aconteceu na última quinta-feira, às oito da manhã, no auditório da Biblioteca Central.

Participou da cerimônia de abertura compondo a mesa a vice-reitora Nilda de Fátima Ferreira Soares; o pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, Cosme Damião Cruz; o diretor-presidente da Fundação Arthur Bernardes - Funarbe, Demétrius Davi da Silva e do Chefe do CCH, Walmer Faroni. Nilda Soares falou da pequena participação brasileira na pesquisa mundial, contribuindo com apenas 2%, e ressaltou a necessidade de uma atitude mais agressiva das Ciências Humanas para impor a área no cenário da pesquisa.

“A pós graduação renasce a cada dia”, foi o que Cosme Damião Cruz falou para mostrar a interação entre a pesquisa durante a graduação e os cursos de mestrado e doutorado. Os alunos que participam de pesquisa e gostam da área tendem a se pós-graduar. O pró-reitor acrescentou ainda:

“Esse é um marco histórico para as Ciências Humanas, o dia em que o primeiro fórum de pesquisa é realizado.”

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Inovação no Processo Civil Brasileiro é proposta por pesquisa do Departamento de Direito

"Lara é sócia da Empresa sobreHumanas. Nízea, Roselly, Daniela, Michelly e Lorena também são sócias desta empresa. Na última reunião Nízea propôs o aumento do número de sócios da empresa, mas Lara não concordou com a decisão. Logo, ela entrou com um processo contra a Nízea alegando que os requisitos previstos no Estatuto não foram cumpridos.

Lara ganhou a ação. Novos sócios não serão aceitos. O processo foi movido contra apenas uma das sócias, não levando em consideração o posicionamento das outras sócias quanto à questão. Sendo assim, elas também serão afetadas pela decisão?"
Quem responde à esta pergunta é a estudante do oitavo período de Direito da UFV, Polyana de Jesus de Souza, em seu projeto de Iniciação Científica “Coisa Julgada Material e Intervenção de Terceiros: Os Limites Subjetivos da Coisa Julgada e Seus Reflexos na Esfera Jurídica de Terceiros”, sob orientação dos professores do Departamento de Direito, Silvia Machado Vendramini e Gláucio Inácio da Silveira.

Considerando o processo movido de Lara contra Nízea (“partes”), as demais sócias são “terceiros”. O trabalho discute se a sentença judicial pronta para gerar efeito entre as partes podem ou não atingir "terceiros", ou seja, um pessoa estranha ao processo mas que tenha relação direta com o objeto.

Nestes casos a Lei não prevê sentença, daí o ineditismo da pesquisa. Esta foi embasada nas obras do Prof. José Carlos Barbosa Moreira, que é considerado referência nos estudos do Processo Civil Brasileiro (confira em .pdf) , além de outras literaturas nacionais e internacionais e da Jurisprudência.

A pesquisa, que contou com bolsa do CNPq, iniciou-se em agosto de 2008 e foi concluída no último mês. O resultado obtido é que: se o terceiro não participou do processo (como no caso acima), ele não será atingido pela decisão, podendo recorrer das vias de defesa adequadas. No entanto, em atenção à Segurança Jurídica, atendeu-se pela necessidade de inovação no ordenamento jurídico, impondo intimação de todos os interessados no caso.

O trabalho completo você pode conferir no Simpósio de Iniciação Científica – SIC – que acontecerá entre os dias 21 e 24 de outubro de 2009, na UFV.